Gestantes relatam dificuldades após demissão coletiva de médicos em hospital de Porto Seguro
Porto Seguro (BA) – Oito médicos especialistas em obstetrícia do Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRDLEM), em Porto Seguro, pediram demissão coletiva e deixaram grávidas da região apreensivas nesta terça-feira (2). A saída simultânea dos profissionais afeta diretamente o atendimento de pré-natal, partos e casos de alto risco que eram encaminhados para a unidade.
De acordo com relatos de moradoras, desde o anúncio da demissão coletiva aumentaram as incertezas sobre a continuidade dos atendimentos, especialmente para gestantes que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). Muitas mulheres afirmam não saber para onde serão encaminhadas em caso de urgência ou de necessidade de parto cesariana.
“A gente já vinha enfrentando demora para conseguir consulta e exame. Agora, com a saída dos médicos, o medo é chegar a hora do parto e não ter equipe suficiente para atender”, relatou uma gestante que preferiu não se identificar.
Profissionais de saúde da rede municipal também demonstram preocupação com o possível aumento na demanda das unidades básicas e das maternidades de cidades vizinhas. Sem um plano de contingência claramente divulgado, a expectativa é de sobrecarga em outros serviços já pressionados por alto volume de atendimentos.
Entre as principais queixas das gestantes estão a dificuldade para remarcar consultas, a falta de informações claras sobre novos médicos e o medo de precisar ser transferida às pressas para outros municípios em caso de complicações na gestação.
“A gente sabe que gravidez não espera. Quem está no fim da gestação fica ainda mais ansiosa, sem saber se vai ter vaga, médico ou estrutura na hora do parto”, desabafou outra paciente, moradora de Porto Seguro.
Entidades ligadas à saúde materna e movimentos de defesa do parto humanizado cobram diálogo entre a direção do hospital, o governo do estado e os profissionais para que seja encontrada uma solução rápida, garantindo segurança às gestantes e aos bebês.
Moradores e pacientes defendem maior transparência nas informações e pedem que o poder público apresente medidas concretas para recompor a equipe de obstetrícia do HRDLEM, evitando o agravamento da situação e a interrupção de serviços considerados essenciais para a população de Porto Seguro e região.
Fotos: Divulgação













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