Morto por leoa: por que esquizofrenia não é motivo para confinar alguém?
Por Redação – Porto Seguro News
A morte trágica de um jovem atacado por uma leoa reacendeu discussões sobre saúde mental e, principalmente, sobre a esquizofrenia. O caso levantou dúvidas na população: pessoas com esse diagnóstico deveriam ser mantidas isoladas ou confinadas? Especialistas são claros: a resposta é não.
A esquizofrenia é um transtorno psiquiátrico caracterizado por alterações na percepção da realidade, podendo envolver delírios, alucinações e dificuldades no pensamento. Mas isso não significa incapacidade total ou risco permanente — e muito menos justifica qualquer tipo de privação de liberdade.
Por que a esquizofrenia não é motivo para isolar alguém?
Especialistas ressaltam que o transtorno tem tratamento e que, quando acompanhado adequadamente, a maior parte dos pacientes pode levar uma vida plena, trabalhar, estudar e conviver socialmente.
- O transtorno é controlável — medicamentos e terapia estabilizam sintomas.
- A maioria não é violenta — pessoas com esquizofrenia têm menor probabilidade de cometer violência do que a população geral.
- Confinamento agrava o quadro — isolamento social pode aumentar ansiedade, depressão e desorganização do pensamento.
- Internação só é indicada em crises graves — e sempre por tempo limitado, com foco em estabilização.
“Esquizofrenia não é uma sentença de isolamento. Confinar alguém por ter um diagnóstico é violação de direitos humanos”, explica um psiquiatra ouvido pela reportagem.
O que realmente deve ser feito diante de um diagnóstico?
O tratamento adequado envolve acompanhamento médico contínuo, uso de antipsicóticos, apoio psicossocial e fortalecimento do vínculo familiar. Também é essencial observar sinais de recaída para evitar episódios de desorganização.
O ideal é que o paciente tenha rotina, segurança emocional e suporte social — e não afastamento ou punição.
O caso reacende tabu sobre saúde mental
A tragédia também expõe o estigma ainda forte em torno dos transtornos psiquiátricos. Muitas pessoas associam automaticamente esquizofrenia à violência ou perda total de autonomia, o que não corresponde à realidade clínica.
Psiquiatras destacam que esse tipo de associação reforça preconceitos, dificulta diagnósticos e afasta pacientes do tratamento, aumentando riscos e sofrimento.
O incidente, apesar de extremo, reforça a necessidade de informação confiável, acolhimento e apoio familiar — pilares fundamentais para quem vive com o transtorno.
Crédito da foto: Divulgação













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