Síndrome ligada à cannabis faz crescer atendimentos por vômito intenso

Por Redação – Porto Seguro News

Profissionais de saúde têm observado um aumento significativo nos atendimentos de pacientes que apresentam episódios de vômito intenso e recorrente associados ao uso frequente de cannabis. A condição, conhecida como Síndrome da Hiperêmese por Cannabis (SHC), tem chamado a atenção de médicos e emergencistas em diversas regiões do país.

A síndrome ocorre principalmente em pessoas que fazem uso diário ou de longa duração da maconha. Os sintomas aparecem de forma cíclica e incluem crises de náusea forte, dor abdominal e vômitos persistentes, que só melhoram temporariamente com banhos muito quentes — um comportamento considerado típico da condição.

“Muitos pacientes não relacionam o sintoma ao uso de cannabis e passam meses buscando diagnóstico. Quando investigamos o histórico, a ligação se torna clara”, explica um gastroenterologista ouvido pela reportagem.

Por que isso acontece?

A causa exata da síndrome ainda não é totalmente compreendida, mas estudos indicam que o uso contínuo da cannabis pode alterar o funcionamento do sistema endocanabinoide, responsável por regular funções como humor, apetite e digestão. Em algumas pessoas, essa alteração provoca um efeito paradoxal: a planta, que em pequenas doses pode aliviar náuseas, passa a desencadear crises severas.

Principais sintomas da Síndrome da Hiperêmese por Cannabis

  • Vômitos intensos e repetidos
  • Náusea constante
  • Dor abdominal forte
  • Alívio temporário ao tomar banhos quentes
  • Desidratação e perda de peso em casos graves

O diagnóstico geralmente é clínico e depende de uma boa investigação médica, já que os sintomas podem ser confundidos com gastrite, intoxicações alimentares e outras doenças gastrointestinais.

Como tratar?

O tratamento imediato inclui hidratação, controle dos vômitos e monitoramento clínico. Porém, a única forma comprovada de interromper definitivamente o ciclo da síndrome é suspender totalmente o uso de cannabis.

“Quando o paciente para de usar, as crises desaparecem. Mas, se volta ao consumo, os sintomas retornam”, reforça o especialista.

Médicos alertam que muitos pacientes procuram o hospital somente depois de dias sem conseguir se alimentar, o que aumenta o risco de complicações como desidratação grave, arritmias e distúrbios eletrolíticos.

Uso crescente e mais casos

Com o aumento do consumo recreativo e medicinal de cannabis, especialistas afirmam que a SHC tende a se tornar mais comum nos próximos anos. Profissionais destacam a importância de campanhas de conscientização, diagnóstico precoce e orientação adequada para evitar quadros graves.

A síndrome não é considerada fatal quando tratada corretamente, mas pode causar grande sofrimento e levar à necessidade de internação hospitalar.

Crédito da foto: Divulgação

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